Dica: Fonte para disléxicos


Para aqueles que tem dislexia, como eu, tenho uma dica de ouro! Recebi um grande presente de um amigo, e tenho certeza que será extremamente útil para mim, ainda mais por eu gostar de escrever muito.

Apesar de ter publicado vários livros, o ato de escrever para mim não é tão simples quanto parece ser, acho que acabo vencendo mais pela insistência.

Para aqueles que são disléxicos sabem o quanto é complicado enfrentar uma leitura ou escrever algo, e se não praticar sempre, quando eu digo sempre quero dizer todos os dias, acaba sendo algo torturante.

Muitos me criticam por eu preferir assistir filmes dublado, mas esses não tem ideia do quão é penoso lutar contra a legenda e é uma luta desleal. No final de um filme de 2h saio extremamente exausto e cansado, e isso apenas tentando ler toda a legenda, pois uma escolha deve ser feita, ou assisto ao filme ou tento ler a legenda. Claro, não é porque um filme possui legenda que irei deixar de assistir, mas quero expressar como é algo massante. Lembro-me quando assisti Senhor dos Anéis no cinema, uau… foi penoso.

Acho que já perceberam o quanto gosto de escrever, pois resolvi escrever este texto com intuito de passar uma dica simples, de uma fonte, e acabei delongando um pouco além da conta. Porém com essa dica, tenho certeza que escreverei muito mais.

Como citado no texto acima, meu amigo Bruno Gonçalves me passou um link, o qual descreve sobre uma fonte para disléxicos. No início achei meio estranho, mas quando eu fui ler um pequeno trecho, que estava em inglês, eu já comecei a rir sozinho. Não sei como chegaram a essa fonte, mas é reconfortante e não se torna algo cansativo ou penoso de ler.

É a tecnologia mais uma vez nos ajudando. Deixo aqui os meus parabéns para os responsáveis pelo projeto.

O interessante é que a fonte é do código aberto, então quem quiser contribuir, fique à vontade!

Eu optei por não utilizar essa fonte em todos os locais e irei explicar o porquê. Faço uma analogia em relação a utilizar óculos, quem usa, sabe que quando está com eles os olhos acostumam e se torna algo agradável, porém, quando se tira os óculos a leitura se torna muito mais complicada de ser feita, demandando um esforço maior dos olhos. Assim acontece com essa fonte, se utilizar apenas ela, é como se estivesse utilizando óculos o tempo todo, porém quando se lê algo de fonte diferente, o esforço demandado se torna bem maior, e como sabemos, o mundo não é dos disléxicos, somos a minoria. Então cabe a nós realizar uma dosagem para uma melhor adaptação.

O nome da fonte é OpenDyslexic e para instalar em variadas distribuições Linux, segue o procedimento:

Ubuntu:

apt install fonts-opendyslexic

Fedora:

yum install opendyslexic-fonts

Debian (sid):

apt-get install fonts-opendyslexic

Arch Linux:

yaourt -S open-dyslexic-fonts

Mageia:

urpmi fonts-ttf-open-dyslexic

Existe também uma extensão interessante para o Google Chrome, a qual pode ser ativada e desativada com apenas um clique. Para baixar a extensão, acesse aqui!

Para outros sistemas, consulte o site do projeto: https://opendyslexic.org/download/

Veja abaixo uma imagens desse texto, que foi escrito no LibreOffice utilizando a fonte OpenDyslexic:

libreoffice

Abaixo segue o filme indiano, “Como Estrelas na Terra” que conta, de maneira bem bonita, a história de uma criança com dislexia e as dificuldades que são enfrentadas. Mesmo para aqueles que não sejam disléxicos, eu recomendo assistir a esse filme, pois além e compreender um pouco sobre o que é a dislexia, pode ajudar outras pessoas que possuem esse distúrbio.


Como Estrelas na Terra – parte 1 por talesam

  • A_Carlos

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkk… rapaz, como eu já xinguei essa fonte no libreoffice. cheguei até a reinstalar o pinguim, há muito tempo. já fuçei até nas dicas de renderização de fontes no linux, e n sabia que era para disléxicos! que a mãezinha do “desenhador” dela me perdoe, onde estiver. kkkkkkkkkkkkkk
    .
    mas como eu ia saber? cada mico que a gente passa na vida!!!!!!! ;-P

  • Xultz

    Se puder sanar minha curiosidade, o que e como esta fonte ajuda no caso da dislexia?

    • Olá!
      Você chegou a ler o que eu escrevi no texto acima, pois explico exatamente como a fonte age, no caso para mim que sou disléxico. Se leu, qual é sua dúvida específica?

      • Xultz

        Eu li, você fez uma analogia com usar óculos (que é meu caso), mas eu não consegui compreender o que a fonte tem de diferente e como ela facilita no caso da dislexia. É só uma curiosidade, mesmo.

        • Entendi, eu fiz a analogia para tentar explicar de uma maneira mais simples, pois se você não é disléxico fica mais complicado de compreender mesmo. Bom, existem vários graus de dislexia, mais graves, menos graves, variações… não é apenas você é ou não! No meu caso, eu tenho dificuldade de ler a palavra por inteiro, é como se eu lesse letra por letra até formar a palavra. Isso é apenas uma das dificuldades. E quando vai se escrevendo, tudo vai se embolando. Já com essa fonte não acontece isso. Consigo compreender melhor, na verdade muito melhor o que está escrito e até compreender a palavra por completo.

          Nós vamos criando artifícios, por exemplo, na faculdade quando eu tinha que ler um texto na sala, eu tinha que ler ele uma vez antes porque eu meio que “decorava” algumas coisas.. ai quando eu ia ler, para a sala, já estava mais simples. Mas se eu pegar algo para ler que seja novo, é como uma criança de 10, 12 anos lendo. Essa fonte ajuda a ter mais fluência também. E por ai vai…

        • Xultz, segue uma tradução rápida que fiz de uma explicação de como funciona, que peguei no site da própria fonte:

          A OpenDyslexic foi criada para ajudar com alguns dos sintomas de dislexia. As letras possuem um peso maior na parte inferior, indicando sua direção. Assim você será capaz de saber rapidamente qual a parte inferior das letras, o que auxilia em reconhecê-las mais facilmente, e também ajuda seu cérebro a evitar rotacioná-las. O peso na parte inferior também ajuda a reforçar a linha do texto. A forma única de cada letra ajuda a evitar confusões, como letras trocadas ou invertidas.

  • Jaime Balbino

    Parece que até eu, que não sou dislexico, leio ainda mais rápido com essa fonte. Vou fazer algumas experiências de alfabetização com ela com crianças com dificuldade.